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História Da Maquiagem – Parte 14- O Futuro

8 Jul

Eis-nos na última parte desta nossa viagem. Quero, agora, partilhar convosco um misto de previsões, desejos e, porque não “adivinhações” sobre o que o futuro da maquiagem nos reserva. Lembrem-se que tudo o que eu vou dizer é subjectivo e são apenas ideias e teorias. Por favor, partilhem comigo as vossas previsões e desejos, estou curiosa!

A maquiagem desta década vai ser a pele perfeita, o eyeliner retro e o batom coral/laranja. Têm sido a tendência dos dois últimos anos e prevê-se que continue em 2013.

Eu acho que no futuro, todos os cosméticos vão incluir algum tipo de tratamento. Isto já é verdade para muitos produtos, especialmente para a base, mas, um dia, todos os produtos sem excepção terão algum benefício para quem os usar.

Prevejo os cosméticos a serem desenhados individualmente. Isto é, cada um de nós vai a uma loja ou balcão de cosméticos e o verniz, sombra, batom e tudo o resto serão feitos especialmente para nós. No estrangeiro já há algumas lojas com este serviço, mas, sem dúvida, isto vai-se tornar cada vez mais e mais comum.

Talvez seja desta vez que a base vai desaparecer por completo. Isto é um desejo. Eu uso base, não tenho nada contra a base, mas adorava que no futuro todos os problemas de pele fossem debelados e todos tivéssemos uma pele perfeita. A ser esse o caso, ninguém teria nada para melhorar, uniformizar ou esconder e, assim, a base seria abolida. O corrector existiria, mas só como uma medida localizada e provisória, para alguma emergência.

O mais realista, contudo, seria imaginar produtos que se adaptem a cada pessoa. Já há batons e bases que têm pigmentos que se adaptam à cor que está por debaixo deles (por exemplo, a base é branca e quando espalhada fica da cor da pele).

Os cosméticos vão ficar mais e mais evoluídos e vão fazer tudo o que quisermos. Se hoje em dia há de um tudo, daqui a alguns anos as possibilidades vão ser realmente infinitas. Não vejo novos tipos de produtos a ser criados, apenas variações e evoluções de fórmulas.  Neste ponto espero estar errada!

Já agora, não seria divertido escolher a maquiagem numa espécie de catálogo, entrar numa câmara e termos a maquiagem perfeita ao sair? Sem trabalho e sempre perfeito. Tira a piada toda de fazer a maquiagem, mas o tempo que usamos a maquiar-nos podia ser usado a “desenhar” e idealizar a maquiagem perfeita!

Assim, acabamos esta série que eu tanto adorei escrever. A principio, escolhi-a para os Domingos porque achei que ninguém ia ter grande interesse no tema e como achei que o Domingo seria um dia mais ou menos parado em termos de visitas, também não ia interferir muito com a pauta habitual do site. A verdade é que tive um excelente feedback da parte dos leitores! Estou extremamente contente com isso!

Semana que vem estou a preparar-vos mais uma rubrica semanal. Fiquem atentos!

História Da Maquiagem – Parte 13- Outras Culturas

1 Jul

Tenho falado da História da maquiagem em termos gerais, mas hoje gostava de vos levar numa viagem pelo espaço e pelo tempo, em vez de ser só pelo tempo. Vamos visitar a Índia, o Japão, Austrália, Américas e alguns países na África. É quase uma volta ao Mundo!

India

India

Na Índia, a beleza das mulheres é muito importante. A beleza física não se dissocia totalmente da beleza espiritual, esta última de extrema importância para a cultura Hindu (religião maioritária na Índia). Lá acredita-se que pintar os olhos de negro às crianças serve para protegê-las dos espíritos maus e de variadas doenças. Ao longo da vida, as mulheres pintam também os olhos de kajal preto (um tipo de lápis de olhos) com o mesmo propósito e, quando se casam, algumas usam uma marca vermelha na testa como símbolo do matrimónio e como símbolo de amor. A maquiagem tradicional das mulheres indianas também é sempre colorida e carregada, para destacar os seus rostos e feições e para complementar as suas joias e roupas exuberantes.

Gueisha - Japão

Gueisha – Japão

No Japão, a maquiagem para o teatro kabuki e a maquiagem das Gueishas é a mais conhecida. Pintar a pele de branco com pastas e pós servia e ainda serve o propósito de esconder a pele – escondendo a pele, tem-se como que uma tela em branco para começar a desenhar a personalidade de um personagem. Para desenhar essa mesma personalidade, usam-se só tons de vermelho e preto. Cada personagem e cada tipo de personagem tem a sua personalidade e é por isso que as maquiagens são tão diferentes de personagem para personagem.

Criança Aborígene na Austrália

Criança Aborígene na Austrália

Na Autrália, os Aborigenes pintavam e pintam não só os rostos, mas também os corpos. Cada gesto no ritual de ser pintarem tem não só um objectivo estético, mas também e principalmente espiritual. Estas pinturas usam exclusivamente pigmentos encontrados na natureza e em cores vibrantes: branco, vermelho e preto. Cada ocasião especial merece um tipo de adorno do corpo diferente: celebrações religiosas, nascimentos e outros eventos importantes têm símbolos e padrões diferentes. O mesmo acontece nas tribos índias nas Américas ainda que as mais conhecidas e estudadas sejam as dos índios do Brasil.

Etiópia

Etiópia

Um pouco por toda a África, o costume de pintar o rosto servia diversos propósitos. Além dos motivos religiosos, para se conseguir uma unidade com a Natureza e os Deuses, algumas tribos usam-na para atrair o sexo oposto. No Níger, há uma tribo na qual os homens se pintam e dançam, cada um tentando ser mais atraente do que os restantes para que as mulheres o escolha a ele para ser pai dos seus filhos.

Como vêm, a maquiagem tem muitas facetas e usos, desde que o ser humano o é.

Será que se nota que estou com tanta pena do final iminente desta rubrica que estou a querer prolonga-la? Apesar disso, semana que vem vamos mesmo dizer adeus a esta série que eu tanto gostei de escrever.

História Da Maquiagem – Parte 12- Anos 2000

24 Jun
Christina Aguilera

Christina Aguilera

Estive indecisa sobre se falaria sobre a última década. Ao fim e ao cabo, antes de pesquisar e escrever sobre este assunto, tenho que confessar que mal me lembrava o que se usava há um par de anos. A moda muda tão rapidamente que até quem gosta de se manter actualizado corre riscos de deixar coisas escapar. Por outro lado, a minha adolescência foi durante esta última década e o que me lembro de ver e de usar fica um pouco ofuscado por eu não saber se usava porque era moda ou se usava porque me queria afirmar.

Mariah Carey

Mariah Carey

Apesar do que acabei de dizer, sei que, quando for falando das tendências e modas, quem me lê vai acabar por também se lembrar de ver e usar. Na última década a moda começou a deixar de ditar e passar a sugerir. Ninguém me tira da ideia que a Internet e, muito em especial, os bloggers de estilo foram os principais responsáveis – mostrando ao Mundo o seu estilo único e partilhando opiniões, bem como mostrando fotos do que se usava onde residiam, abriram as portas para que fosse mais e mais aceite cada um ter o seu estilo sem ter que se assumir como pertencendo a uma sub-cultura.

Britney Spears

Britney Spears

A primeira (e única) tendência que me vem à cabeça sem ter de pensar muito é usar lápis preto apenas na linha de água inferior. Usar eyeliner só por baixo do olho foi um tendência extremamente popular, em especial entre as adolescentes e foi um perfeito exemplo do “street style”. Exactamente por não ser muito favorecedor a quem já não é propriamente adolscente (porque “puxa” os olhos para baixo e torna-os menores, envelhecendo e mudando drasticamente a expressão), foi algo que raramente se viu em celebridades ou em revistas: porém, era muito usado.

Paris Hilton

Paris Hilton

O smokey eye foi um look que continuou (e continua) popular, apesar de ter ganho cor e inúmeras variações. A mais notória foi o ser acompanhado pelos batons nude (cor da pele) ou mais claros. Até se chegou mesmo ao extremo de se apagarem os lábios com base e aplicar depois várias camadas de gloss para dar muito brilho. Falando em gloss, este foi a estrela da década. Foi a primeira vez na História em que as vendas de gloss suplantaram as vendas de batom.

Jennifer Lopez

Jennifer Lopez

O era dos solários também teve o seu auge no princípio da década, e o bronze começou a sair de controle. Entretanto, surgiram avanços nos auto-bronzeadores e o bronze continuou a ser mais popular. Em contraponto, claro, os peelings quimicos para anular o envelhecimento provocado pelos raios UVA ganharam popularidade. Olhem a foto da Jennifer Lopez bem bronzeada que coloquei aqui: é de 2006. Hoje, em 2012, ela parece 10 anos mais nova, em vez de 6 anos mais velha.

Gwen Stefani

Gwen Stefani

O glitter e a purpurina que tinham sido tão populares no final dos anos 90 foi substituído por outro tipo de brilho – o importante é que o matte foi abolido. Usava-se brilho mais fino em sombras, batons e até na pele do rosto e no corpo.

Avril Lavigne

Avril Lavigne

A última tendência que marcou a década passada foram os lábios cheios. Talvez impulsionada pela crescente popularidade da Angelina Jolie ou por outra qualquer razão, usar produtos para tornar os lábios mais cheios tornou-se popular. Surgiram batons e glosses com ingredientes activos que faziam com que os lábios inchassem (irritando a pele, na maioria dos casos) e até tratamentos mais invasivos como injectar ácido hialurónico para os lábios ficarem mais cheios.

Lindsay Lohan

Lindsay Lohan

A próxima semana vai levar-nos um pouco atrás na História e vamos falar em particular sobre culturas espalhadas pelo mundo que usam ou usavam a maquiagem de uma maneira muito particular. Assim, esta não foi a última parte  - os fãs desta rubrica (e sei que os há! Já mo disseram)  podem descansar por mais algum tempo.

História Da Maquiagem – Parte 11- Anos 90

17 Jun

Sejam bem vindos a uma década da qual a maioria de nós ainda se lembra e na qual o que eu mais queria na vida era ser uma Super Modelo.

Linda Evangelista para uma campanha Alberta Ferretti c. 1990

Linda Evangelista para uma campanha Alberta Ferretti c. 1990

Depois do “excesso de estilo” e do excesso em geral dos anos 80, o Mundo quis voltar-se para um look com menos cor e mais natural, caindo depois no chamado “minimalismo” que era tudo menos minimalista: segundo Calvin Klein (e tenho a dizer que concordo plenamente), é preciso mais maquiagem para se parecer assim tão natural. A maquiagem dos anos 90 foi buscar alguma inspiração aos anos 70 e ao século XIX.

Claudia Schiffer c.1992 para a Revlon

Claudia Schiffer c.1992 para a Revlon

Dizem que a maquiagem dos anos 90 era aborrecida e que, para muitos maquiadores, é aquela década que se “adora odiar”. Porém, coisas que conhecemos e idolatramos hoje em dia vêm-nos desta década. É o caso do smokey eye, que toda a gente conhece, e da ênfase na pele perfeita e luminosa. Na verdade, foi nos anos 90 e graças a Bobbi Brown que surgiram as bases com mais tons, especialmente os mais amarelados que são mais naturais para uma parte da população. Claro que também nos vêm dos anos 90 coisas que preferíamos esquecer que alguma vez viram a luz do dia, como sendo usar delineador de lábios escuro com batom claro ou usar um risco espesso branco na pálpebra superior. Infelizmente, estes looks ainda andam por aí.

Naomi Campbell c. 1993

Naomi Campbell c. 1993

Nos anos 90, para além da pele aperfeiçoada e de se ter abolido o pó quase por completo, os tons castanhos também eram populares. Apareceram tons de castanho que ninguém sabia muito bem que existiam até então: entre o “café com leite” e o “expresso” havia um mundo a desvendar. Contudo, desengane-se quem achar que o castanho (ou marrom) era só para os olhos! O batom castanho, desde o bege, dourado, castanho avermelhado e, pura e simplesmente, castanho teve o seu advento. Era supostamente muito natural.

Kate Moss c. 1994

Kate Moss c. 1994

A pele dos anos 90 não se queria matte, mas todo o resto devia ter essa textura. A única excepção seriam os lábios das mais jovens, a quem se permitia usar só gloss transparente. Outra característica importante da maquiagem dos anos 90 eram as sobrancelhas. Sobrancelhas escuras, cheias mas arqueadas e definidas como as da Cindy Crawford e da Linda Evangelista eram desejadas e chegou a haver dezenas de produtos diferentes – fossem puramente cosméticos ou prometendo actuar a nível do crescimento do pêlo – para conseguir este look.

Cindy Crawford c. 1995

Cindy Crawford c. 1995

O final dos anos 90, mesmo antes da viragem para 2000, viu a entrada em cena de girls bands que introduziram menos seriedade no look do dia-a-dia, mais cor e popularizaram o ar sexy, jovem e, por vezes, até mesmo mais desportivo. O glitter abundava, tanto em spray para o cabelo como em sombras, cremes de corpo, vernizes e, mais ainda, em gloss – tenho a certeza que alguém, algures, que esteja a ler este blog também se lembra de gel glitter em roll on para colocar no rosto ou nos lábios. Eu lembro e tenho um escondido bem no fundo do meu armário de maquiagem! Chamemos-lhe um “souvenir”.

Precisa de legenda? The Spice Girls

Precisa de legenda? The Spice Girls

História Da Maquiagem – Parte 10 – Anos 80

10 Jun

Sabem aquele look natural, “clean” e minimalista? Esqueçam. E sejam bem vindos aos fantásticos, coloridos e animados anos 80.

Cyndi Lauper

Cyndi Lauper

Blushes de todas as cores e acabamentos e um verdadeiro arco-íris de sombras, toneladas de eyeliner, bem como batons de cores alegres e vibrantes povoaram os anos 80: e todos ao mesmo tempo! Muito de tudo era o adágio da moda (em maquiagem e não só) desta década.

Madonna

Madonna

Como nesta década o destaque era para tudo e  não só para os lábios ou para os olhos, por exemplo, vamos começar a analisar pelo início. Voltou a base espessa e com muita cobertura – aliás nem podia ser de outra maneira. Com tanta maquiagem no resto do rosto, a pele tinha mesmo que ser impecável. A base era tendencialmente mais rosada do que a que estamos habituadas e era bastante pastosa e cremosa. Fixar com pó era não só necessário como era moda, já que a pele matte era bastante usada.

Jennifer Beals

Jennifer Beals

A maquiagem dos olhos começava com sobrancelhas cheias, naturais em forma ou com um ângulo muito pronunciado. Quanto a sombras, o azul eléctrico era popular, mas o roxo, verde, rosa também o eram. Acho que não havia cores impopulares nas sombras dos anos 80 – desde que fossem coloridas e vibrantes, eram a escolha. O eyeliner também era usado, e quanto mais, melhor! Líquido ou, mais frequentemente em lápis, azul, preto e castanho eram populares por serem consideradas neutras. Porém, cores mais eléctricas também estavam disponíveis e eram compradas regularmente pelas mulheres. Usava-se muito eyeliner tanto por cima como por baixo e por dentro do olho. Falando em cores de sombra e eyeliner, não há para mim nada mais “80′s” do que uma maquiagem de olhos rosa e azul – é instantaneamente reconhecível!

Boy George

Boy George

Raramente se aplicava uma só cor de sombra. Usar uma cor na pálpebra e usar a cor oposta num tom mais claro no côncavo e osso da sobrancelha até mesmo à sobrancelha era o recomendado por revistas e maquiadores. Bons exemplos de combinações seriam azul turquesa na pálpebra e cor-de-laranja até à sobrancelha ou então verde eléctrico na pálpebra e amarelo canário por cima. Posto isto, nem toda a gente saía à rua a parecer uma ave do paraíso. Algumas pessoas “do dia-a-dia” usavam cores mais discretas como o castanho, cinzento, verde musgo entre outros. A máscara de pestanas (cílios) por vezes era colorida, mas o mais comum era mesmo o preto.

Janet Jackson

Janet Jackson

O blush é outro produto usado até ao extremo e um blush “à anos 80″ é reconhecível em qualquer lado, a qualquer hora. Cor muito intensa, preferencialmente rosa forte, vermelho ou arroxeado, era o indicado. O blush ia desde um pouco abaixo dos ossos da face até às têmporas em altura e até ao centro das maçãs do rosto em largura. É mesmo uma aplicação muito típica da década.

Debbie Harry

Debbie Harry

O batom também era a estrela do look, embora com menos frequência. O batom mais usado era iridiscente, o famoso “frosted” – um look quase como que cristalizado com um brilho branco. Todos já vimos este tipo de batom. Quem não gostasse desse look, tinha sempre o rosa forte, fucsia, vermelho ou laranja – sim, havia muitas opções.

Sade

Sade

Nos anos 80, como agora, havia grande variedade de modas e estilos e cada um usava o que queria. Foi o começo da actualidade em termos de moda, pelo menos na minha opinião. Os estilos dos anos 80 vão e voltam constantemente e foram um das grandes inspirações para a moda neste Verão! Nasci nos anos 80, mas confesso que adorava ter sido adolescente/jovem adulta nesta década!

Demi Moore - perdoem-me a qualidade da foto, mas foi mais forte do que eu.

Demi Moore – perdoem-me a qualidade da foto, mas foi mais forte do que eu.

História Da Maquiagem – Parte 9 – Anos 70

3 Jun
Farrah Fawcett

Farrah Fawcett

 Esta década deu visibilidade mundial ao estilo “hippie” e trouxe-nos o inconfundível estilo “disco”: bem-vindos aos anos 70. Até cerca de 1974, a filosofia de vida do “paz e amor” e “flower power” reflectiram-se no estilo e na maquiagem. Depois, e até ao fim da década, a sonoridade do disco-sound e a sua expressividade fizeram o mesmo. Claro que assim como a filosofia e a música inspiraram o dia-a-dia, o cinema e a televisão tiveram também um papel muito importante: que não conhece os “Anjos de Charlie” ou o “Febre De Sábado À Noite”?

Faye Dunaway

Faye Dunaway

Na primeira metade da década de 70, assistimos ao nascimento da maquiagem mineral. Não era tão boa como é hoje em dia, mas começava a dar os primeiros passos. Os que seguiam a filosofia hippie queriam que tudo fosse o mais natural possível, tanto em ingredientes e componentes, como em cores e texturas. A maquiagem não devia ter excessos e o melhor a fazer era ter a pele fresca mas bronzeada, as faces levemente coradas e os lábios brilhantes. Sim, o gloss ganhava terreno e o batom, pela primeira vez na História, estava a ficar reservado só para as mães e avós.

Barbara Bach

Barbara Bach

Para conseguirmos recrear o look hippie hoje em dia, precisamos de poucos materiais. Nada de base, apenas um pouco de corrector para esconder as olheiras e outras imperfeições. O blush rosado e o gloss transparente são uma necessidade absoluta. Outra necessidade absoluta é o bronzer: o ar natural e de quem gosta de estar ao ar livre imperava e hoje em dia, como estamos mais sensibilizados para os perigos da exposição prolongada ao sol, o bronzer é o nosso melhor aliado. Para os olhos, usar apenas máscara era popular – a máscara castanha para as mais branquinhas ou preta para as morenas era o que se usava. Para uma ocasião especial, talvez um pouco de sombra castanha ou um pouco de lápis esbatido, mas nada de mais.

Jaclyn Smith

Jaclyn Smith

Entretanto o mundo cansou-se de tanta naturalidade. Entra o disco-sound, entra o glitter, entra a cor e entra a famosa marca de culto em maquiagem: Biba. Houve uma revolução no estilo e na maneira de agir – as pessoas achavam-se agora mais próximas da idade espacial, mais próximas do futuro. O cinema e a música deram uma grande ajuda.

Catherine Deneuve

Catherine Deneuve

A maquiagem da era disco queria-se muito como se quer hoje em dia: simples de dia e sensual de noite. O batom voltou e as sombras voltaram. As sombras começavam, aos poucos a ter cor. Quando se podia, combinava-se a cor da sombra à cor da roupa; quando não, então os tons neutros como castanhos e cinzentos era aplicados para dar intensidade ao olhar e destacá-lo. Sem dúvida, os olhos foram o foco da maquiagem da segunda metade dos anos 70. Também ajudou o facto da maquiagem estar agora mais disponível, de haver mais marcas e marcas para todos os preços. Havia também marcas mais dedicadas à juventude, nomeadamente adolescentes e jovens adultas, com colecções que tinham muita cor e se renovavam frequentemente para seguir a moda e o que as celebridades usavam.

Diane Keaton

Diane Keaton

A actualidade está recheada de “heranças” dos anos 70 – desde a moda da roupa, cabelos e, claro a maquiagem. Para quem conhece e sabe detectar uma tendência, isso é notório. Por exemplo, o batom coral que é tão popular ultimamente surgiu com toda a força nas actrizes da série Anjos De Charlie; as saias compridas que hoje em dia estão tão em voga também remontam aos anos 70; o cabelo com textura natural que é hoje em dia visto em celebridades e recomendado a todas as mulheres também nos transporta a esta década.

História Da Maquiagem – Parte 8 – Anos 60

27 Mai

Quando penso em maquiagem nos anos 60 do século XX, penso nas mulheres que a usavam e que ainda hoje são e serão ícones incontornáveis de estilo, tanto de roupa como de beleza. Nomes como Jackie Kennedy, Audrey Hepburn e Twiggy soarão familiares a quem gosta de moda.

Ursula Andress

Ursula Andress

Quando se pensa em maquiagem dos anos 60, a reacção instantânea da maioria das pessoas é pensar na maquiagem Mod como usava a Twiggy e da qual falaremos dentro de momentos, mas esse estilo só foi popularizado e começou a ser usado por muita gente por volta de 1965. Antes disso também havia tendências e a maquiagem foi evoluindo até chegar ao look tão marcante que conhecemos como sendo desta década. No princípio da década de 60 a moda não era assim tão diferente da dos anos 50. Posto isto, vamos ver como começou a evolução.

Brigitte Bardot

Brigitte Bardot

As mães não gostavam nada que as filhas adolescentes usassem batom vermelho, simplesmente não era bem visto. Apesar de as mães e as avós usarem, as jovens também não o queriam usar porque queriam ter a sua própria identidade e ser diferentes. Assim, a marca Gala (que depois foi copiada por muitas outras) lançou em 1959 um batom claro com brilho. Cores como lavanda, pêssego, rosa bebé, café com leite e outras cores pálidas foram ganhando popularidade progressivamente e tornando-se moda. Eventualmente apareceu o batom branco (sim, branco como cal ou papel) que não favorecia ninguém, e então o mundo deu-se conta que talvez estivesse a haver um exagero. Logo em seguida, entrou a moda de deixar os lábios naturais, apenas com um gloss que, por esta altura, já estava disponível.

Sophia Loren

Sophia Loren

Nos anos 60 os avisos sobre os malefícios da exposição excessiva ao sol para além das queimaduras ainda estavam a anos-luz de distância. Assim, a moda era a pele bronzeada como se se tivesse acabado de vir de férias e surgiram os primeiros bronzers que, apesar de não serem muito naturais, davam à pele um aspecto mais escuro. O popularidade de icones como Sophia Loren, que é italiana, ajudou a tornar a pele bronzeada um must.

Audrey Hepburn

Audrey Hepburn

Pele bronzeada e lábios quase brancos deixaram o rosto pouco harmonioso e bastante apagado. Para isso e depois do filme Cleopatra com Liz Taylor, os olhos foram ganhando destaque. Sombras de todas as cores foram ficando populares para de dia. Para de noite, preto, tons de cinzento ou azul marinho e castanhos escuros eram praticamente obrigatórios em termos de sombra. Enquanto isso, o eyeliner (líquido de preferência) foi ficando omnipresente. Não era só usado na linha das pestanas como usamos hoje em dia, mas riscos duplos ou um risco na linha das pestanas e outro acima do côncavo eram comuns quando surgiu o movimento Mod. Pestanas falsas extra longas em cima e em baixo dos olhos e muita, mas mesmo muita máscara também eram usados.

Jean Shrimpton

Jean Shrimpton

Nesta década a textura era mais para o matte, tanto em termos de pele como em termos de sombra. Mary Quant, que se diz ser a inventora da mini-saia, também tinha uma linha de cosméticos. Apesar de, na década de 60, as revistas de adolescentes darem instruções passo-a-passo para se conseguir este ou aquele vistual, os cosméticos Mary Quant vinham com folhetos com instruções precisas para usar o produto e obter o look desejado. Esta companhia também incentivava e popularizou o uso de  pincéis específicos para maquiagem.

Twiggy

Twiggy

O movimento Mod era um estilo de vida. Baseava-se no futurismo e em tentar viver o que viria. As roupas, a decoração, os primeiros indícios de minimalismo, a literatura, os filmes, a maquiagem…. tudo podia reflectir esta escolha. A maquiagem Mod caracteriza-se por a cor pálida mas natural dos lábios, rosto esculpido fazendo uso das técnicas de contorno, pestanas de boneca e a sombra muito definida no côncavo. Era aplicada sombra branca ou muito clara em toda a região dos olhos e depois usava-se uma sombra muito escura, colorida ou preta para demarcar o côncavo e esbater o mínimo possível. Em alternativa, como já disse, usava-se eyeliner. Um risco grosso de eyeliner na linha de pestanas superior e inferior, pestanas postiças superiores (sempre!) e inferiores (às vezes) e o look estava completo.

Mia Farrow

Mia Farrow

Se tiverem interesse na estética (tanto a nível de maquiagem, roupa e decoração) desta década, recomendo vivamente e serie Mad Men. Acho que têm vindo a fazer um trabalho muito bom na recriação da época  apesar de alguns erros e aviso já que sou a pessoa mais crítica que conheço sobre o assunto.

A História Do Protector Solar

20 Mai

Acharam mesmo que lá por ser uma semana especial eu vos ia deixar sem “lição” de História? É claro que não! Hoje vamos falar um bocadinho sobre a protecção solar através dos séculos e até fazer um bocadinho de “futurologia” para tentar adivinhar o que nos espera no futuro.

Se têm lido os meus artigos sobre a História da maquiagem, sabem que durante a vasta maioria da História da Humanidade era desejável ter-se a pele clara. Por isso, ao longo do tempo, as pessoas fora inventando e descobrindo maneiras de se proteger do sol que não fossem simplesmente ir para a sombra ou cobrir-se da cabeça aos pés.

No antigo Egipto, além de não ser desejável deixar a ele ficar muito bronzeada por questões sociais, a saúde também era muito importante. As pessoas não se queriam queimar e, digamos que com temperaturas a chegar até bem perto dos 50ºC no deserto, evitar uma queimadura não é assim tão fácil. Assim inventaram-se poções com variadíssimos ingredientes, incluindo jasmim para recuperar a pele e extractos da planta do arroz para absorver os raios solares.

Um pouco por toda a Asia sempre foi e ainda é usual usar uma pasta espessa de arroz para proteger do sol.  As mulheres que iam apanhar arroz faziam esta pasta com esse mesmo arroz desfeito uma espécie de farinha e um pouco de água e reaplicavam-na durante o dia. Isto impedia que a pele ficasse bronzeada, mas também deixava a pele luminosa, já que funcionava como uma máscara de beleza.

Antes de se descobrir a existência dos raios UV, pensava-se que o escurecimento da pele e as queimaduras eram causadas pelo calor. Só no século IXX é que se descobriu a composição da luz e os efeitos que esta tem na pele humana.

Só em 1928 é que o primeiro protector solar ficou disponível nos Estados Unidos, mas não era muito eficaz nem muito usado. Só nos anos 30 é que o Mundo viu a invenção do protector solar que conhecemos hoje em dia mas ninguém sabe muito bem quem o inventou. É que tanto Eugene Schueller (que viria a fundar a L’Oreal) como Franz Greiter inventaram cremes parecidos mais ou menos na mesma altura embora se encontrassem em partes diferentes do Mundo. Franz Greiter acabou por criar a marca Piz Buin que ainda hoje existe e é muito boa apesar de, claro, os produtos terem evoluído muito.

Imagem Publicitária da Piz Buin de c. 1959

Imagem Publicitária da Piz Buin de c. 1959

Durante a Segunda Guerra Mundial, Benjamin Green, um Farmacêutico Americano inventou uma espécie de gel vermelho que protegia os soldados do sol. Imaginem vaselina vermelha! Testou-a na sua cabeça (já que era careca!) e depois disponibilizou-o para o exercito. Infelizmente este gel não era muito eficaz a proteger da radiação e manchava a roupa. Green reformulou o seu produto para que pudesse ser usado por toda a gente, mesmo depois da Guerra. Assim nasceu a famosa Coppertone.

Uma das primeiras campanhas publicitárias da Coppertone

Uma das primeiras campanhas publicitárias da Coppertone

Em 1962, Franz Greiter “volta a atacar” e estabelece o SPF como medida para a protecção solar. Assim, fica-se a saber que a sua formulação original de protector solar teria um SPF de apenas 2. Pois… Está explicado!

Hoje em dia já se sabe muito mais sobre o sol e os seus raios. Por exemplo, sabe-se que a roupa de algodão não protege eficazmente contra os raios solares a não ser que seja muito grossa. É por isso que a roupa com protecção SPF tem vindo a ganhar adeptos e há já várias linhas disponíveis.

Estão a decorrer estudos para comprimidos que tornem a pele mais resistente aos raios UVA e UVB e, na minha opinião, é por aqui que passa a protecção solar no futuro. Mas é uma das tais coisas, “quem viver, verá”.

História Da Maquiagem – Parte 7- Anos 50

13 Mai

Depois do conservadorismo dos anos 40, os anos 50 vieram cheios de Glamour e de alegria. Em termos de maquiagem, novas tendências, novos produtos e novas técnicas foram impulsionados pelo advento do filmes a cores.

Elizabeth Taylor

Elizabeth Taylor

Os homens que tinham ido para a Guerra já tinham voltado e a economia do pós-Guerra florescia. A industria dos cosméticos conseguiu por-se a par da procura e a feminilidade era incentivada em tudo: desde a moda, publicidade, cinema… Assim, não é de estranhar que voltasse a maquiagem mais carregada e a evidenciação  dos traços mais femininos.

Grace Kelly

Grace Kelly

Uma das grandes novidades em termos de maquiagem foi uma nova espécie de base. Era a “Pan Cake”, uma base em creme, muito espessa, que vinha num compacto como os que vemos hoje em dia para o pó. Esta base servia para cobrir completamente a pele, deixando-a como a mesma aparência da das actrizes de cinema. A base devia ser mais ou menos da mesma cor da pele e, como era um pouco oleosa, havia pós especiais para serem colocados por cima. Estes pós geralmente tinham um tom rosado para imitar a chamada “pele de porcelana”.

Marilyn Monroe

Marilyn Monroe

O rouge continuava a ser muito usado e era imperativo que condissesse com o batom. O batom vermelho matte (e era muito importante que fosse matte) era super popular e havia muitas mulheres que não se atreviam a sair de casa sem ele, certificando-se de que a aplicação era impecável. Porém, outras cores de batom como todo os tons possíveis de rosa, coral e bege começavam a surgir em força.

Kim Novak

Kim Novak

O eyeliner era usado agora a todas as horas, com uma forma alongada para dar aos olhos uma expressão sexy. Quanto às sobrancelhas, a maioria das mulheres mantinha a forma natural das suas sobrancelhas, mas fazia questão de as preencher a preto ou castanho escuro e fazê-las mais grossas. Outro look muito usado para sobrancelhas nos anos 50 era desenha-las arqueadas em cima, com uma ponta ou pico bem definido e arredondadas em baixo; no canto interno (perto do nariz) eram arredondadas ou quadradas e muito pontiagudas no canto externo.

Natalie Wood

Natalie Wood

Na década de 50 começou-se também a ter mais cuidado com a pele e havia cremes e loções para tudo e mais alguma coisa, muitas delas publicitadas pelas grandes artistas do grande ecrã e por cantoras famosas.

Doris Day

Doris Day

Semana que vem vamos fazer uma pequena pausa. Não vamos falar dos anos 60, mas sim de um tema relacionado com mais uma “semana especial” temática que começa já amanhã.

História Da Maquiagem – Parte 3 Eras Victoriana e Edwardiana

15 Abr

A era Victoriana corresponde ao reinado da Rainha Victoria em Inglaterra, ou seja, de 1837 a 1901. A época Edwardiana começa logo em seguida e, apesar do Rei Edward ter falecido em 1910, há controvérsias sobre quando a época Edwardiana realmente acaba. Para o propósito deste artigo, vamos dizer que acabou no final da Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Época Victoriana (Inglaterra)

Época Victoriana (Inglaterra)

Na época Victoriana, Inglaterra (e mais concretamente, Londres) era o centro do Mundo, e à parte da Guerra Civil Americana, há a tendência a esquecer que o resto do Mundo existia. Ainda assim, no que diz respeito a beleza, Londres e Paris estavam em pé de igualdade em importância. Muito embora o estilo de roupa e acessórios variasse, a maquiagem era mais ou menos a mesma.

Por volta de 1840, foram descobertas alternativas aos pós que se usavam anteriormente para fazer com que a pele parecesse mais clara. Já se sabia que os produtos anteriores era tóxicos e, por isso, procurou-se outra alternativa. Porém, sombras de olhos e rouges ainda continham produtos perigosos para a saúde. Não que importasse muito, porque apesar de saberem que era altamente prejudicial, as mulheres usavam gotas de beladona nos olhos para fazer com que as pupilas aumentassem e os olhos ficassem vidrados. Era considerado inocente e doce que uma mulher tivesse um ar sonhador. Beber vinagre era, também, uma forma popular de se ficar pálida.

Época Victoriana - América

Época Victoriana - América

Conforme o reinado da Rainha Victória progrediu, esta foi ficando mais e mais preocupada com a decência e os valores. Assim, chegou até a proibir a maquiagem para quem não fosse actor (embora já no século anterior tivesse havido uma lei que diziam que quem se casasse com uma mulher que usasse maquiagem podia requerer a anulação do casamento dizendo que tinha sido enganado). Mas aposto que adivinham o que acabou por acontecer apesar da proibição: a maquiagem continuou a ser usada apesar de ser um tabu. Havia salões de beleza com portas traseiras para que as mulheres pudessem entrar sem serem vistas para fazer a sua maquiagem. Tudo devia parecer muito natural: usavam carvão para escurecer as pestanas e sumo de beterraba em lugar de blush e batom.

No final da época Victoriana, os cosméticos voltaram a ser aceites, pouco a pouco. O aspecto saudável e natural voltou a ser moda porque houve vários surtos de doenças que deixavam as pessoas pálidas e com ar doentio.

Época Edwardiana

Época Edwardiana

Na Época Edwardiana (que engloba a Belle Époque, que me é pessoalmente tão querida), os cosméticos já não eram tão tabu. Simplesmente usavam-se. Os pós para o rosto serviam agora mais para controlar o brilho do que para dar cor, mas rouge para os lábios e faces usam-se sem ser às escondidas. Pétalas de gerânio e papoila são a maneira mais comum de ter lábios e faces rosados. Embora se usassem, por vezes, fósforos queimados para dar cor às pálpebras, o centro da beleza de uma mulher nesta era, eram, sem sombra de dúvida, as sobrancelhas. O lápis de sobrancelhas era popular e ter umas sobrancelhas bonitas era o que todas as mulheres queriam. Nesta altura, as revistas femininas tiveram o seu advento: eram populares e davam conselhos sobre dieta, exercício, cuidados de pele, maquiagem, penteados… quase tudo o que podemos encontrar hoje numa revista feminina!

Nesta época, começou a ser mais e mais comum pintar-se o cabelo e já havia tintas para várias cores. Além disso, o banho diário e o acto de lavar o cabelo frequentemente tornaram-se populares. Durante o reinado da Rainha Victoria (de quem falamos no principio deste artigo), o banho e o toque da água, eram consideradas experiências sensuais e, como tal, moralmente reprováveis.

Normalmente só se fala na liberdade que a Segunda Grande Guerra deu às mulheres, mas o facto é que a Primeira Guerra Mundial também deu uma vida nova às mulheres. Muitas tinham um trabalho (ou porque os maridos estavam na Guerra ou faleceram no decorrer da mesma) e, como tal, tinham algum dinheiro próprio para gastarem no que quisessem. Além disso, algumas lojas começaram a vender cosméticos sem pudor e até a encorajar a que se experimentasse antes de comprar – soa familiar? Pois é, foi o começo do que conhecemos hoje.

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